24 julho 2008

Face


Tudo seria mais fácil se não viéssemos com este focinho estranho. Porquê que a face humana é tão difícil de desenhar? Não é só a questão da expressão. São as formas que fazem esta forma humana complicada, difícil de reproduzir em papel, é a sua quase simetria, que raramente se concilia com o facto de nós não desenharmos com ambas as mãos (eu pelo menos não).

Este foi o resultado de um exercício cronometrado. Fi-lo de propósito: 5 minutos para esboçar uma face humana a partir de uma fotografia (seria puro masoquismo ter ainda que me ocupar das questões da perspectiva).

Não ficou grande coisa, mas o objectivo era precisamente o oposto. Tal como faço com os meus alunos, queria ver quais são os erros que mais facilmente cometo para que os possa corrigir. Assim, nota-se que eu tenho uma tendência natural para inclinar as linhas verticais para a direita. A parte superior do nariz fica quase sobreposta ao olhos esquerdo (o olho à nossa direita). Os lábios, numa tentativa de manter a simetria, foram-se alargando uma e outra vez, até se transformarem num fuso esticado ao longo de toda a largura da cara. os olhos ficaram enormes e numa tendência de subir, à medida que as linhas se aproximam da mão direita. Preguicite aguda na minha mão direita: amanhã terei que fazer melhor.

18 julho 2008

Regresso


Desde Novembro, as minhas ocupações impediram-me de manter este blog actualizado. Agora que o trabalho aperta menos, espero voltar a ter tempo para aperfeiçoar-me e digitalizar os resultados mais ou menos decentes que forem emergindo do papel.

Durante o Inverno estive a aperfeiçoar o desenho a partir de fotografia. Há uma vantagem nesta técnica: a câmara ocupa-se de colocar tudo na devida perspectiva. Para um par de olhos particularmente destreinados como os meus, o uso da fotografia em substituição do modelo real acaba por ser revelar uma boa opção. Este esboço em particular, praticamente a única coisa que fiz em todo o Inverno, foi feito usando lápis de carvão, lápis de sanguínea, terracota e chocolate. No final, foram dados alguns retoques com o lápis de giz.

Para além disso também tenho passado algum tempo a explorar o desenho a tinta da china, tanto com caneta de bambu como com aparos de caligrafia. Espero poder mostrar-vos algumas experiências em posts futuros.

07 novembro 2007

Estante

Porque, às vezes, tudo o que importa é o que se faz num momento, desenhei esta estante do meu quarto num dos meus exercícios de "como fazer um esboço em menos de 5 minutos".

Não há muito a dizer deste esboço feito com carvão vegetal sobre papel croquis. As linhas gerais foram feitas com o lado mais largo do pau de carvão. Os detalhes foram sendo feitos com a ponta. No final o soalho foi esfumado com os dedos. A sensação de dedos sujos de carvão não deixa de trazer um certo sentimento de liberdade, de regresso a algo menos limpo, porém mais autêntico...

É apenas um de muitos esboços rápidos que gosto de fazer, quando me acho mais pachorrento. Ou antes, quando me acho menos pachorrento.